O açúcar e a saúde

Hoje vou falar sobre o açúcar e a saúde.

Já fiz alguns posts sobre ele, principalmente na época em que abordei candidíase recorrente e síndrome fúngica.

Para quem busca saúde intestinal e saúde geral, esse post é fundamental!

Poucas são as pessoas que olham para as tentações coloridas, cremosas, crocantes, sedutoras e açucaradas e ficam indiferentes. Docinhos, bolos, barrinhas, tortas, sorvetes, balas, chicletes… a lista é infinita e tem para todos os gostos. 

Nos últimos anos muito têm sido descoberto sobre os reais danos do consumo excessivo de açúcar.

O açúcar, junto com alguns outros alimentos refinados como farinhas e óleos vegetais, são inflamatórios para o organismo e enfraquecem a microbiota intestinal.

Enfraquecendo a microbiota intestinal, a parede do nosso intestino vai ficando mais permeável e assim aumenta a inflamação.

Como o açúcar afeta nossa microbiota intestinal

Simples: alimentando quem não devia. Açúcar é o alimento preferido dos fungos e das bactérias ruins, aquelas que vão ficar ma-lhu-cas quando encontrarem ele, vão fazer uma festa daquelas e se multiplicar. Por isso, resumindo bem basicamente: quanto mais açúcar você come, mais fungos e bactérias ruins você cultiva no intestino e maior será sua disbiose intestinal.

Disbiose intestinal é um estado de desequilíbrio em que as bactérias ruins do intestino estão em maior quantidade que as boas. Nesse estado, a digestão e absorção são prejudicadas, sintomas desagradáveis como gases, dores abdominais, constipação, diarréias, arrotos e até cansaço excessivo surgem.

Assim, ao consumir açúcar em excesso, a chance de desenvolver disbiose intestinal aumenta consideravelmente.

A explicação é simples né? Mas se você, assim como eu, já fez um esforço consciente de diminuir o açúcar, deve saber que parece que o corpo pede açúcar. Certo?

A verdade é que não parece, ele realmente pede e a ciência explica como isso funciona.

Por que sentimos vontade de comer açúcar

Existe um mecanismo, originalmente desenhado para nossa sobrevivência, que é ativado em nosso metabolismo quando comemos alimentos ricos em açúcar. Esse mecanismo basicamente suprime os hormônios que regulam o apetite – grelina e liptina – para que você continue comendo açúcar mesmo não estando mais com fome.

Isso porque há milhares de anos, quando morávamos nas cavernas, o alimento era escasso e passávamos períodos de jejum longos. Os açúcares, são fontes rápidas de energia e quando não utilizados no momento, são armazenados em forma de gordura – como reserva energética. 

Nosso metabolismo é o mesmo daquela época, nosso DNA praticamente não teve evolução, ao passo que a tecnologia e por consequência, nosso estilo de vida, sim. Naquela época precisávamos disso para sobreviver – dos açúcares e da reserva energética corporal em forma de gordura, mas hoje em dia não.

Por isso, a dificuldade de parar quando começamos a comer doces faz parte do seu metabolismo.

O papel das bactérias do seu intestino

Mas não é só isso, o tipo de bactéria que você tem no seu intestino também influencia muito. Como o Dr. David Perlmutter explica no livro Amigos da Mente, já foi comprovado cientificamente que a microbiota de indivíduos magros é bem mais vasta e diversificada que a de indivíduos com sobrepeso e que as bactérias intestinais, não apenas controlam nossa digestão, elas também têm influência no nosso metabolismo.

Elas influenciam a forma como armazenamos gorduras, equilibram os níveis de glicose no sangue, atuam na expressão dos genes ligados ao metabolismo e reagem aos hormônios que nos fazem sentir saciados ou com fome.

Se você me acompanha aqui no blog ou no Instagram, a essa altura você já sabe que para ter os micróbios certos aí no seu intestino você precisa alimentá-los de maneira adequada.

Vê como está tudo bem interligado? Por isso costumo dizer que a cada garfada nós estamos fazendo escolhas de saúde ou doença.

Controle glicêmico e saúde geral

Não é só sobre a microbiota intestinal e hormônios relacionados a saciedade que o açúcar interfere. Diversos estudos mostram que o controle da glicemia sanguínea é fator chave para a prevenção e redução do risco de diversas doenças e até do envelhecimento precoce.

Um dos pontos que mais tem se estudado e falado ultimamente é a resistência insulínica e a fadiga adrenal, que cada vez mais tem sido diagnosticada tanto em pessoas com sobrepeso, como em pessoas magras.

A glicose que está em nossa corrente sanguínea precisa de insulina para conseguir entrar nas células e assim ser usada como energia. O problema é que quando uma célula é exposta a níveis elevados de insulina, devido a presença constante de glicose no sangue (pelo consumo constante de açúcares e carboidratos refinados), ela reduz o número de receptores de insulina para que não absorva tanta glicose.

Com essa glicose solta na corrente sanguínea, seu corpo pensa que está faltando insulina e assim o pâncreas produz e libera mais insulina. E aí, o circo está montado! Você vai produzir ainda mais insulina, a sua glicose vai continuar na corrente sanguínea e a sua adrenal (glândula responsável pela produção de insulina) vai ficar fadigada de tanto trabalhar.

E isso chama-se fadiga adrenal.

Esses dois cenários podem evoluir para pré-diabetes e dela para diabetes tipo 2.

A adrenal também é responsável por sintetizar hormônios como cortisol e testosterona. Isso quer dizer que altos níveis de stress também são super responsáveis pelo quadro. Esses dois hormônios estão relacionados também a manutenção e aumento da massa magra, que é muito importante para manter boas taxas do metabolismo.

A minha fadiga adrenal

Além de estudar bastante sobre isso, eu tive fadiga adrenal em 2016. Estava em um pico de estresse, trabalhando de segunda a segunda, angustiada com a falta de diagnóstico para o que sentia.

No meu caso a alimentação não foi o fator determinante para minha fadiga adrenal, pois já não consumia açúcar e carboidratos refinados em quantidades consideráveis. Mesmo assim, desconfiei que estava com resistência insulínica pois era só consumir carboidrato que eu ficava extremamente letárgica, enjoada e inchada. A sensação era que eu engordava 2 kg de um dia para o outro.

Eu me tratei com um endocrinologista ortomolecular que reequilibrou meus hormônios e em menos de dois meses eu havia recuperado 1,5kg de massa magra e já não me sentia mal como antes. Foi essencial!

Por isso, insisto que não existe equilíbrio se olhamos apenas para o alimento secundário, assim como não existe se olhamos apenas para o primário. Os dois andam lado a lado.

Para relembrar

Vimos que o açúcar afeta o equilíbrio da microbiota intestinal e dos nossos hormônios, e através desses desequilíbrios desencadeia reações inflamatórias que podem gerar diversos problemas de saúde e aumentam nossa chance de desenvolver diversas doenças.

Leia também este post: O que é disbiose intestinal e quais os sintomas?

Não esquece de me acompanhar diariamente no Instagram para ver meus vídeos e dicas.

Um beijo!

Sobre o Autor

Flavia Machioni

Flavia Machioni

Eu sou a Flavia, autora do Lactose Não. Sou especialista em cozinha natural, Health Coach formada pelo IIN/NY e Relações Públicas pela UFPR. Há mais de 7 anos venho mudando meu estilo de vida e alimentação para ter mais saúde e bem estar. Divido grande parte desse caminho aqui e em minhas redes sociais.

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