Restrição à tristeza

Restrição à tristeza! Quem tem restrição alimentar sabe que além da saúde do corpo, temos que cuidar do nosso equilíbrio emocional para não fazer dessa condição motivo de ansiedade ou frustração. À primeira vista isso parece exagero, mas veja só:

Imagine que você tem um problema, e que a única solução é deixar de usar roupas azuis. Após o impacto da notícia, você pensa do jeito prático: não é tão difícil, tenho roupas de outras cores, posso me virar com elas. No primeiro dia você escolhe um vestido. Tudo parece bem, até que o seu problema aparece, aí você se dá conta que tem azul na estampa do tecido. De volta ao guarda-roupa, você olha as peças com mais atenção e nota que vai ter que readequar todo seu jeito de vestir, afinal muita coisa têm pelo menos um detalhe em azul. E você fica triste, porque chegou o verão, mas você nunca mais vai poder usar aquele biquíni azul que ganhou de sua amiga. Nem a sapatilha azul, tão confortável para dias de caminhada. E lembra do seu uniforme azul do colégio, e de tantas lembranças boas da infância em que a cor está presente. Aos poucos você aprende a lidar com essa característica, mas o azul sempre dá um jeito de aparecer: seja na camiseta da turma, que você não vai poder usar, seja na roupa linda que está na vitrine, ou no chapéu que ganhou em uma viagem.  É possível viver assim? Perfeitamente. Mas exige autocontrole e planejamento acima da média.

Queria muito ter dicas infalíveis para ninguém mais sofrer por esses motivos, inclusive eu mesma! Adoro a minha rotina de preparar tudo que como, mas às vezes me estresso por não ter a possibilidade de comprar um lanche qualquer, na hora da pressa ou por vontade de comer algo diferente. Tem também os aniversários, reuniões de amigos, comemorações de família, e outras situações em que ficamos olhando o horizonte enquanto os demais se deliciam com as tradicionais “gordices”, que sempre envolvem laticínios. Às vezes tiro de letra, às vezes rola um drama, mas o fato é que com o tempo vai ficando mais fácil, porque a gente entende que nenhum sabor vale mais que nossa saúde, e há sim muitas outras coisas gostosas que podem fazer parte da nossa alimentação, só é preciso ter boa vontade de descobrir (e de botar a mão na massa, o que facilita o processo ;)).

Não sou da área da psicologia, mas sei que nós, serumaninhos, temos uma característica que faz do que é proibido mais atraente. A gente pensa: não posso brigadeiro, não posso risoto, não posso croissant, e a nossa cabeça fica martelando: brigadeiro, risoto, croissant! Então, direcionar o pensamento para o que podemos em vez daquilo que não podemos é uma forma de agirmos ao nosso favor.

A alimentação tem um significado muito grande na vida da gente, mas às vezes é preciso lembrar a sua função primordial: nutrir o corpo, fornecer energia.  Abrir mão de uma ou outra coisa de vez em quando não é motivo para nos abalarmos.  É normal, nem todas as refeições são o auge do sabor. Falo isso pra lembrar a mim mesma. Às vezes estamos frágeis e atribuímos à comida uma função que não é a dela, que nada tem a ver com o fornecimento de energia. Então, “take it easy” se teve que almoçar algo sem graça por conta da sua restrição, na próxima refeição você providencia algo que te agrade e fica tudo certo. Só não vale reclamar e ficar esperando que as coisas cheguem até você, nunca vai acontecer.

Vocês também vivem esses dramas, ou eu que sou exagerada? Conseguem se virar bem fora de casa? Nos contem como é sua rotina de “diferentão”.

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Sobre o Autor

Carla Vailatti

Carla Vailatti

Oi, eu sou a Carla Vailatti, jornalista e intolerante à lactose. Vivo em negociação com meu corpo, porque tento ouvi-lo, mas ele pede muito chocolate. Acredito que todos precisamos buscar informações para sermos protagonistas da própria saúde.

6 comentários em “Restrição à tristeza

  • 11 de novembro de 2016 at 19:00
    Marcia Lúcia Martins

    Que texto ótimo, tenho uma filha com intolerância severa não só a lactose mas também ao gluten, que já descobriu adulta, e um filho com uma alergia a lactose muito forte diagnosticado quando tinha 04 meses(hoje com 12 anos). Já ouvi demais as pessoas dizerem mas ele não pode nem um pouquinho? E como é difícil ficar preparando todos os lanches, mas com paciência da pra levar.

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  • 10 de novembro de 2016 at 23:05
    Carla K.

    Como assim só agora li esse texto maravilhoso?
    Me identifico em todas as situações citadas, não é fácil mas também não é impossível viver sem lactose. O que acho difícil nessa rotina é cortar de vez a lactose. De vez enquando faço uso da enzima, deixo na bolsa pra emergências fora de casa, mas pretendo diminuir, tanto o uso da enzima em si quanto dos produtos zero lactose enzimados.
    Parte dessa dificuldade é que ao substituir a gente acaba pagando mais caro. Mas faz parte…

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  • 5 de outubro de 2016 at 17:16
    João Guilherme

    Descobri hoje que, após um mês tendo diarréia e após perder 6klos, me tornei intolerante a lactose. Fiz o teste e deu positivo, porém, além do drama de pensar em tudo que eu não posso comer, eu ainda tenho diarréia, o que acaba deixando meu psicológico ainda mais afetado. No momento só estou pensando que não quero mais ter diarreia mesmo, vou deixar pra pensar depois tudo que vou “perder” hahaha

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    • 6 de outubro de 2016 at 10:25
      Carla Vailatti

      Oi João! Focar no lado positivo das coisas facilita muito o processo =). Como alguém que descobriu a intolerância há mais tempo posso te dizer: tenha paciência que tudo melhora. Nenhuma comida, por mais saborosa que seja, vale mais que a sensação de estar bem de saúde.

  • 27 de setembro de 2016 at 21:18
    Gabriela Donat

    Adorei, pois também me sinto assim. Mas como disse, com o tempo melhora kkkk no começo a gente pensa “nunca mais vou poder comer” 🙁 #chateada e o que acaba dificultando são as pessoas que não entendem nossa decisão de não consumir “nem um pouquinho???” kkkkkkkk Parabéns pelo excelente texto 🙂

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    • 28 de setembro de 2016 at 9:13
      Carla Vailatti

      Que bom que gostou! Isso de “nem um pouquinho” a gente ouve todo dia, né!? Mas com o tempo a gente aprende a abstrair e isso não nos abala :*

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