Fodmaps – o que são

Fodmaps – o que são?! Hoje venho contar sobre a descoberta de novas restrições alimentares.

No último post eu contei como descobri que sou intolerante à lactose, e terminei dizendo que tenho sintomas de Síndrome do Intestino Irritável (SII). Digo sintomas porque as minhas reações são brandas se comparadas com as de outras pessoas que têm esse problema, então não sei se tenho uma versão mais amena ou se é só uma sensibilidade a mais. O que eu sinto é inchaço, principalmente abdominal, sensação de estufamento, refluxo, cólicas e intestino lento. Muitos fatores influenciam, como meu estado emocional e o conjunto da minha alimentação.

O meu gastroenterologista recomendou prestar atenção se ao restringir alimentos ricos em Fodmaps meus desconfortos diminuíam. Fodmaps são Oligosacarídeos, Dissacarídeos, Monosacarídeos e Polióis Fermentáveis, ou seja, carboidratos dificilmente absorvidos pelo nosso intestino, presentes em uma grande variedade de alimentos. Algumas das principais pesquisas sobre isso foram desenvolvidas na Universidade de Monash, na Austrália. Estudos mostraram que uma dieta com baixo teor desses carboidratos diminui os sintomas em mais de 75% das pessoas com SII. No início não achei que fosse o meu caso, mas cada vez tenho me identificado mais.

Afinal, em quais alimentos os Fodmaps estão presentes? Muitos! A lista é grande, muito grande, tão grande que não consigo ver o fim :(. O lado bom é que não é necessário fazer uma restrição total, basta prestar atenção em nosso corpo e perceber quais alimentos nos fazem mal e em qual quantidade. Alguns exemplos de alimentos que preciso tomar cuidado: ervilha, maçã, brócolis, lentilha, cebola, manga, pimentão e farinha de trigo. Posso consumir tudo isso, mas em uma quantidade limitada, e um de cada vez. Quando tive a pior dor, no dia anterior tinha comido ervilha, pimentão, cebola e brócolis no mesmo prato – e em mais de uma refeição.

A lactose é um desse carboidratos que o nosso intestino tem dificuldade de digerir, por isso também precisa ser restrita em uma dieta low fodmaps. Os alimentos com glúten também devem ser evitados, mas não em função do próprio glúten, que é uma proteína, e sim porque, conforme os estudos dos pesquisadores da Universidade de Monash, “grãos e produtos derivados de cereais sem glúten curiosamente têm Fodmaps inferiores em relação aos produtos que contêm glúten”. Quem quiser saber mais pode acessar o blog da Universidade sobre esse assunto.

Os Fodmaps estão presentes em alimentos saudáveis, por isso não é uma boa ideia excluí-los se você não tem a real necessidade, além do que não irá ter nenhum benefício. E mesmo quem tem SII deve fazê-lo com acompanhamento profissional para evitar carências nutricionais.

Para me ajudar nessa empreitada, baixei o aplicativo “The Monash University Low Fodmap Diet”, que foi feito pela universidade australiana que já mencionei. É um aplicativo pago, mas vale a pena por ser super completo e pela confiabilidade das informações. Nele há uma lista de alimentos, bebidas e temperos, entre outros itens, com o indicativo da presença de Fodmaps. Também tem receitas e informações sobre SII, a dieta proposta e o que acontece em nosso corpo.

Os pesquisadores de Monash recomendam fazer uma restrição completa por duas a seis semanas, depois, com ajuda de nutricionista, reintroduzir os alimentos e observar quais devem ser evitados, e em que quantidades. Meu médico não achou necessário eu fazer dessa forma, apenas me orientou a ficar atenta se meus desconfortos tinham relação com os alimentos em questão. Como muitas vezes não senti nada, fui esquecendo, até acontecer o episódio que contei antes.

Acredito na saúde como um conjunto de fatores, e a nossa satisfação pessoal pesa muito. Compartilhar refeições experimentar sabores estão entre minhas atividades preferidas, por isso, sempre que possível, como junto com as pessoas próximas, dentro das minhas limitações. Viver comendo coisas super específicas pode até ter seu lado bom para o meu sistema digestivo, mas acaba comigo emocionalmente. Por isso, tento ter a forma mais próxima possível de uma alimentação natural e descomplicada, e aquele “1%” de tentações, que faz parte. Às vezes é mais de 1%, mas tento equilibrar :p.

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Meu tipo de equilíbrio:  num dia, hamburgão com tudo que tem direito; no outro, overnight oats todo vegano

Como curiosidade, trago uma pequena tabela com exemplos de alimentos ricos em Fodmaps:

Para saber mais sobre as pesquisas da Universidade de Monash sobre esse tema, clique aqui

Parabéns e obrigada se você leu até aqui, porque olha, que história comprida. Já conhecia essa dieta? O que achou? Fique à vontade para comentar, vou gostar muito de saber a opinião de vocês.

Sobre o Autor

Carla Vailatti

Carla Vailatti

Oi, eu sou a Carla Vailatti, jornalista e intolerante à lactose. Vivo em negociação com meu corpo, porque tento ouvi-lo, mas ele pede muito chocolate. Acredito que todos precisamos buscar informações para sermos protagonistas da própria saúde.

4 comentários em “Fodmaps – o que são

  • 16 de outubro de 2018 at 23:37
    Laís Lacerda

    Olá! Seu site foi um achado. Já fiz muitas receitas daqui. Mas nunca tinha parado pra ler sua história. De fato de parece muito com a minha, só que ao invés de constipação eu tenho diarréia. Há quase 3 anos de história instigado o que me faz mal. Sinceramente tem dia que acho que comer me faz mal, mas ficar sem comer TB. Sinto dores todos os dias. Já fui em vários médicos, já fiz mil exames, melhoro, pioro e fico nessa montanha russa. Agora farei as 6 semanas comendo low fodmaps estou esperançosa de, em um futuro próximo, assim como vc, comer de tudo com moderação e equilíbrio! Abraços

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  • 23 de julho de 2018 at 11:11
    Katt

    Me identifico demais com o que venho lendo sobre SII e disbiose. Agora é procurar uma nutricionista novamente.
    Obrigada por compartilhar sua história com a alimentação e as receitas deliciosas que ensina a fazer.

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  • 19 de julho de 2018 at 22:27
    Bárbara

    A tabela com os exemplos não pra mim… será que é por que to acessando no tablet? No celular também não…

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  • 15 de julho de 2018 at 20:56
    Andrea Reis

    Realmente ser portadora de SII é um saco! Muitas vezes estou fazendo a alimentação mais saudável possível, com o inrestino funcionando redondinho e do nada me aparece um estufamento e uma cólica infernal! Temos q observar muito a nossa reação a cada alimento q ingerimos! A matéria está ótima e vai me ajudar muito mais!

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