Alimentação fora da caixa

 

Sabe aquele crush que não deu certo? Você sofreu um bocado depois pensou: nossa, como eu pude, hoje nem sinto falta! Isso é o que acontece quando você sai da zona de conforto alimentar, ou seja, busca uma alimentação fora da caixa. Cada vez mais ouço coisas como: “sou viciado em chocolate”, “não vivo sem café”, “se não pode pão, vou comer o quê?”, “meu mundo acabou, tomei leite a vida inteira e agora não posso mais”. Quando a pessoa precisa fazer alguma mudança é um drama! Eu vivi esse drama, e afirmo: passa. Não de uma hora para outra, não sem esforço. Mas há sabor e felicidade além do leite condensado.

Desapega desse Twix que eu vou te contar uma verdade: nada nos obriga a viver nessa caixinha. Onde tá escrito que a primeira refeição do dia tem que ser café com leite e pão com margarina e presunto? Conveniência? Costume? Preferência? Tem uma frase que é meio confusa, mas explica bem o que acontece: a gente não escolhe comer uma coisa porque gosta, a gente gosta porque sempre escolhe essa coisa. Resumindo: é uma questão de hábito.

Quando precisei (pela intolerância à lactose) e quis (pela saúde) melhorar a minha alimentação, comecei a pesquisar e, com esse aprendizado, fui questionando comportamentos. Por exemplo:

Quando ficou decidido que comida de criança é achocolatado e batata frita? Por que isso é tão aceito, mesmo se sabendo que não é saudável, pelo menos não na frequência que se consome? Por que quase ninguém estranha que certo produto, nas versões regular e fit, tenha quantidades semelhantes de açúcar? Ou que os chamados cereais matinais sejam baseados em açúcar? E por que chamamos de chocolate coisas que não tem nada, ou quase nada de cacau?

Uma vez fui para uma festa, não muito disposta a comer laticínios, mas preparada com cápsulas de lactase, caso decidisse provar algum doce. Na hora da sobremesa, diante de um variado buffet, pensei: oba, acho que vai ter algo sem leite. Aí fui passando pelas opções, tinha, sei lá uns dez tipos. E TODOS eram visivelmente feitos com de creme de leite + leite condensado + coisas para dar texturas e sabores diversos. Como eram pratos bonitos, me servi na maior expectativa. E a minha decepção foi que tudo tinha praticamente o mesmo gosto. Daí comecei a pensar: com tantos alimentos no mundo, porque vivemos tão limitados? Por que preferir o sabor artificial se posso ter os ingredientes de verdade?

Depois, reparei nas opções de lanches comuns. Pastel, coxinha, croquete, pizza, esfirra, empada, cachorro quente, folhado, quiche: todos feitos a partir dos mesmos ingredientes. Com tanta variedade de alimentos no mundo, será que é saudável se limitar dessa forma?

Os exemplos são infinitos, acho que citei o suficiente para te estimular a questionar as convenções que determinam nossa alimentação.

E se, antes de nos deixar levar, a gente pensasse se é isso mesmo que queremos? E se inventássemos nossos próprios costumes, com base no que acreditamos? É possível?

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Sobre o Autor

Carla Vailatti

Carla Vailatti

Oi, eu sou a Carla Vailatti, jornalista e intolerante à lactose. Vivo em negociação com meu corpo, porque tento ouvi-lo, mas ele pede muito chocolate. Acredito que todos precisamos buscar informações para sermos protagonistas da própria saúde.

2 comentários em “Alimentação fora da caixa

  • 17 de novembro de 2016 at 14:18
    Mondriam

    Olá me identifico muito! Passei pela mesma experiência em uma festa, incrívelmente os lindo doces não eram bons, ou eram tão enjoativos… que me fez pensar sobre a diversidade.
    Ótima reflexão.
    ?

    Reply
  • 11 de novembro de 2016 at 15:32
    DEBORA DEMENECH

    Oi Carla, me identifiquei muito com seu texto, após descobrir minha intolerância meus horizontes se abriram e torço que as pessoas que não sofrem disso tenham este tipo de pensamento que você descreveu! Temos tantos ingredientes ricos mas na maioria das vezes nas festas e eventos etc. as mesmas coisas são servidas. E parece que tudo precisa de leite (ontem tentei comprar uma BAGUETE e sim, o padeiro desafio a culinária francesa e colocou leite na massa). Hahahaha continue com os textos, estão ótimos!!
    Beijos
    Debora

    Reply

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