6 dicas para melhorar o convívio social
Se você me acompanha há um tempo já deve ter percebido que meu maior desejo com meu trabalho é ajudar. Várias vezes eu levanto questionamentos, conto episódios que vivi, comento sobre coisas que vejo que passamos, e tento trazer alguma ideia ou sugestão para fazermos algo e nos sentirmos melhor.
Com a vida social não seria diferente. Eu sei como tem dias que é um saco! E sei que muitos de vocês tem mais dias ruins do que bons, e me corta o coração.
Depois de anos lidando com isso e conhecendo milhares de pessoas que também passam por isso diariamente eu vi que não estou só e que existe sim algo que podemos fazer ???
No início da semana eu contei sobre como a vergonha afeta nossa vida social e a partir deste post eu escrevi um texto no meu Instagram, que você pode ver abaixo:
Dessa vez, recebi mais de 300 comentários, fora as mensagens inbox, e novamente, li uma a uma e vi que temos muito, muito em comum. Novamente, raiva, frustração, preguiça, indiferença, tristeza, irritação, vitimismo, constrangimento, vergonha e culpa apareceram muito. Veja alguns abaixo:
Eu sei que é horrível se sentir excluído e desrespeitado, eu sei MESMO! Mas eu sei que não adianta esperar que as pessoas solucionem isso para nós.
Quero tentar ajudar, então fique aqui e veja as minhas sugestões. São coisas que nesses anos vivendo em sociedade e convivendo com restrições alimentares fizeram eu perceber.
Como sempre, as informações que passo aqui não substituem de maneira alguma o acompanhamento profissional. Se você está muito abalada(o) e não consegue achar apoio, procure um terapeuta ou psicólogo.
Primeiro de tudo, talvez você já tenha ideia disso, mas se isolar não é a melhor solução.
Eu sei que tem dias que é tudo o que queremos fazer, mas resista a essa vontade. Ao contrário do que parece, você não estará se protegendo. Na realidade você estará ajudando a piorar a situação.
Em vez de se isolar, vamos aceitar o que é, colocar essa cara linda na rua e viver o que temos para viver?! ??
Se tem algo que eu agradeço é por tudo o que minhas restrições alimentares me ensinaram. Hoje eu tenho muito mais empatia pelos outros, fico muito mais atenta às minhas reações automáticas e já consigo ver alguns padrões de comportamento e pensamento que tenho que nunca me beneficiaram.
Sem contar que aprender a ouvir meu corpo me trouxe um bem-estar maravilhoso, muito melhor do que quando eu tinha 19 anos!
Sim, sim, estou falando dele, o famoso autoconhecimento.
Agora, vamos ver ações práticas que você pode começar a tentar para melhorar seu convívio social:
- Aproveite a situação para informar, com amor.
Assim como é novo para você, é novo para quem te rodeia. As dúvidas, questionamentos e opinões vão acontecer, é natural. Não ache que é para te atacar, te ofender ou debochar – mesmo que seja, responda com carinho, como se a pessoa quisesse saber mesmo.Lembra como você ficou com medo quando se viu diante de um mundo tão novo? O mesmo acontece com as outras pessoas. Nós sentimos basicamente as mesmas coisas e temos basicamente as mesmas necessidades ☺️
Explique, conte o que acontece, divida alguma história, mostre que não é tão ruim quanto parece.
Mostre fotos de comidas que foram feitas sem glúten/leite/soja/ovos/derivados animais/açúcar (qualquer que seja o alimento que precisa/quer restringir).Convide alguém para provar algum quitute ou alguma receita.
Se vocês gostarem de doce, essa aqui é sucesso.
Se preferirem salgado, faça essa!
- Aproveite para disseminar informação.
As poucas pessoas que responderam meus posts falando que lidam super bem com as restrições, contaram que viram que informar e falar abertamente sobre o assunto fazia com que as pessoas respeitassem mais, pois passavam a entender.E eu não tenho como concordar mais! Se todos que têm restrições alimentares resolvessem falar sobre o assunto, as pessoas veriam como é bem mais comum do que elas pensam. Eu já ouvi de muitas pessoas que preferem não falar nada porque não querem ficar explicando. Mas como que os outros vão saber e entender, se nós, que conhecemos a situação, não tocamos no assunto?
Se não assumirmos que mudar esse cenário depende bastante de nós, a mudança será mais demorada.
Fale numa boa, sem problematizar, sem romantizar, sem julgar, sem forçar a barra, apenas contando o que é. Dê dicas do que servir, de como incluir, de como preparar. Se quiser uma ajudinha, esse post aqui é bem legal de passar 🙂
Muitas pessoas MESMO me contaram que a princípio eram muito criticadas, mas que com o passar do tempo, as mesmas pessoas que criticavam começaram a demonstrar mais interesse e participar mais.
- Aproveite a situação para trabalhar sua empatia.
Se você contou algo sobre si (como por exemplo que tem alguma restrição alimentar) e a pessoa não demonstrou empatia e interesse algum, só conseguiu criticar, não entendeu e não quis entender: as chances dessa pessoa estar batalhando com algo em si mesma é grande.Tente trazer amor para a conversa. Traga empatia e seja você a pessoa a não reagir com grosseria, julgamentos e rispidez.
Respire fundo e diga o mantra: não sou eu, não sou eu, não sou eu. Logo em seguida, retome a conversa sem reagir ou se fechar.
Se não conseguir, retire-se e vá fazer outra coisa.
- Aproveite a situação para separar o joio do trigo, com o perdão do trocadilho.
Algumas pessoas simplesmente estão lidando com muitos problemas próprios para conseguir enxergar os outros como pessoas que também têm suas questões e querem se sentir acolhidas. Se você não ver vontade genuína dessa pessoa de sair dessa, afaste-se.Pessoas tóxicas, intoxicam.
Você merece acolhimento, amor e compreensão – não passe seu tempo com quem não concorda com isso.
- Aproveite a oportunidade para
aprender apedir ajuda.
Esse é um grande desafio para grande parte de nós. Pedir ajuda requer vulnerabilidade, e temos medo de nos mostrar vulneráveis e não sermos acolhidos.Mas, por experiência própria, assumir que precisamos de apoio, ajuda e acompanhamento, é libertador.
Procure alguém que você ame e que você sabe que estará ao seu lado e diga como se sente e que gostaria de ajuda. Não tem problema sentir medo, nem vergonha e nem pedir ajuda.
Se possível, procure um terapeuta ou psicólogo, o trabalho e acompanhamento profissional vai ajudar muito!
- Aproveite para tornar-se um estudante.
Faça desse momento uma oportunidade para crescer, buscar conhecimento, estudar e se conhecer.Não aceite o papel de vítima.
Acredite que você é muito capaz de aprender a conviver com tudo o que está acontecendo.
Uma ideia é começar a observar os acontecimentos e reações das pessoas, por exemplo:
- Comece a perceber quais pessoas reagem melhor quando se deparam com suas restrições alimentares e veja o que elas têm em comum.
- Quando alguém reagir mal, com piadas, deboche, grosserias, veja se consegue entender o que pode estar por trás.
- Observe quem se importa genuinamente e veja o que elas têm em comum.
Depois, veja o que você admira mais nessas pessoas e use como inspiração para buscar o seu melhor.
Para resumir, os passos que podem te ajudar a melhorar o convívio social:
- Não reaja. Pare e pense.
- Tenha empatia com quem te criticou/julgou.
- Informe.
- Lembre-se que algumas pessoas estão envolvidas demais com suas próprias questões e perdem sua capacidade de olhar e entender o próximo. O problema não é você.
- Tudo bem se afastar de pessoas negativas e tóxicas.
- Peça ajuda.
- Busque sempre o conhecimento.
Espero que isso te ajude e dê forças.
Com amor,
Flavia.















6 comentários em “6 dicas para melhorar o convívio social”
Oii Flavia!
Amo sua página. Sobre essa questão do convívio social ( sempre leio esse post quando começo a “ficar para baixo”), é muito complexa mesmo. Tenho intolerância a lactose, pimenta e gordura (ate um fio de óleo no preparo é um problema para mim). O difícil não é ter que me alimentar antes de ir para alguma refeição em que fui convidada ou levar uma marmita (sei que é difícil o preparo da minha refeição). Difícil é me tornar o centro das atenções ou ter que ouvir comentários como “vc não vai comer nenhum pouquinho?” ou “ai que dó ela vendo todo mundo comer”. Isso é muito cansativo. Obrigada pela ajuda. Bjsss
Oii Rose!
É cansativo mesmo, eu sei.
Claro que o ideal é que a gente não se afete com essas pessoas, mas tem dias que não conseguimos e é bom expressar nossa insatisfação e/ou chateação.
Fale que não é legal ouvir isso e que não gosta de se sentir assim, com jeito e educação conseguimos “educar” os outros e mostrar que um pouco de empatia faz bem a qualquer um 🙂
Boa sorte, querida.
Um beijo
Flávia, acompanhia sua página, pois amo suas receitas e elas dão super certo. Tenho duas filhas, uma alérgica ao leite, a outra a leite, oleoginosas e trigo.
Mas decidi escrever pq esse texto me ajudou de outra forma. Tenho transtorno psiquiátrico e tudo que escreveu foi válido para mim. Meu sonho é montar um blog pra justamente ajudar pessoas como eu. Mas ainda estou num momento de sobrecarga e estou sempre adiando. Mas tudo a seu tempo. Adoro vc e espero um dia conseguir fazer um curso presencial. Bjos
Oii Julia!!
Ah que alegria saber que foi válido o texto! ❤️
Concordo, tudo a seu tempo. Mas se é uma ideia recorrente, vale o esforço de começar mesmo achando que não estamos prontas.
Se posso te dar um conselho: faça o blog! Dividir o que sentimos com os outros é transformador, ainda mais quando recebemos mensagens tão queridas como a sua.
Assim que colocar no ar, por favor me envie o link. Vou adorar acompanhar você!
Um beijo!
Esse texto me ajudou muito! Muitas vezes me afastei por receio de ir a algum lugar, ter comida da qual eu não poderia comer e ficar com vontade.
Flavia, eu amei! Muito obrigada pelo post!