6 dicas para melhorar o convívio social

Se você me acompanha há um tempo já deve ter percebido que meu maior desejo com meu trabalho é ajudar. Várias vezes eu levanto questionamentos, conto episódios que vivi, comento sobre coisas que vejo que passamos, e tento trazer alguma ideia ou sugestão para fazermos algo e nos sentirmos melhor.

Com a vida social não seria diferente. Eu sei como tem dias que é um saco! E sei que muitos de vocês tem mais dias ruins do que bons, e me corta o coração.

Depois de anos lidando com isso e conhecendo milhares de pessoas que também passam por isso diariamente eu vi que não estou só e que existe sim algo que podemos fazer 🙌💪🏼

No início da semana eu contei sobre como a vergonha afeta nossa vida social e a partir deste post eu escrevi um texto no meu Instagram, que você pode ver abaixo:

Não foi uma, duas ou três vezes que fui na casa de algum amigo, parente, conhecido, festa, evento, restaurante ou qualquer coisa do tipo e me senti, por algum motivo, constrangida pelas minhas restrições alimentares. Algumas vezes fiquei numa boa, outras reagi mal. Às vezes reagi mal por estar cansada de ter que ficar explicando sempre a mesma coisa, outras foi por não querer ouvir a ideia brilhante da pessoa que acabou de me conhecer em relação ao meu ‘problema’, às vezes foi por ficar frustrada porque em 95% dos lugares que vou o que me sobra pra comer é sempre o mesmo, às vezes é só porque estou sem saco para sorrir enquanto a milésima pessoa faz uma piada ou fala para mim ‘nossa, eu não ia conseguir! Eu amo (insira aqui um alimento óbvio que todos amam)’. Acontece, claro! Todos temos nossos dias!! Eu me esforço para esses dias não acontecerem com frequência, mas ainda acontece de vez em quando. Sei que não sou a única, porque uma das queixas que mais recebo, e os pedidos de ajuda mais frequentes, são em relação ao convívio social! Ontem, fiz duas pesquisas nos meus Stories e a partir dela escrevi um texto analisando e mostrando que existe um perfil no nosso comportamento. Os gatilhos são diversos, mas no fim tudo volta ao cerne principal: vergonha em mostrar ou falar abertamente sobre uma questão que nos deixa com medo de não fazer mais parte e perder a conexão com quem amamos. Adoraria mesmo que você lesse o texto completo e me contasse se fez sentido pra você, deixei o link nos Stories. Amanhã vou dividir umas ideias de estratégias para nos fortalecermos. Que tal?! 😌🤜🏼

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Dessa vez, recebi mais de 300 comentários, fora as mensagens inbox, e novamente, li uma a uma e vi que temos muito, muito em comum. Novamente, raiva, frustração, preguiça, indiferença, tristeza, irritação, vitimismo, constrangimento, vergonha e culpa apareceram muito. Veja alguns abaixo:

Eu sei que é horrível se sentir excluído e desrespeitado, eu sei MESMO! Mas eu sei que não adianta esperar que as pessoas solucionem isso para nós.

Quero tentar ajudar, então fique aqui e veja as minhas sugestões. São coisas que nesses anos vivendo em sociedade e convivendo com restrições alimentares fizeram eu perceber.

Como sempre, as informações que passo aqui não substituem de maneira alguma o acompanhamento profissional. Se você está muito abalada(o) e não consegue achar apoio, procure um terapeuta ou psicólogo.

Primeiro de tudo, talvez você já tenha ideia disso, mas se isolar não é a melhor solução.

Eu sei que tem dias que é tudo o que queremos fazer, mas resista a essa vontade. Ao contrário do que parece, você não estará se protegendo. Na realidade você estará ajudando a piorar a situação.

Em vez de se isolar, vamos aceitar o que é, colocar essa cara linda na rua e viver o que temos para viver?! 🙋🏻

Se tem algo que eu agradeço é por tudo o que minhas restrições alimentares me ensinaram. Hoje eu tenho muito mais empatia pelos outros, fico muito mais atenta às minhas reações automáticas e já consigo ver alguns padrões de comportamento e pensamento que tenho que nunca me beneficiaram.

Sem contar que aprender a ouvir meu corpo me trouxe um bem-estar maravilhoso, muito melhor do que quando eu tinha 19 anos!

Sim, sim, estou falando dele, o famoso autoconhecimento.

Agora, vamos ver ações práticas que você pode começar a tentar para melhorar seu convívio social:

  • Aproveite a situação para informar, com amor.
    Assim como é novo para você, é novo para quem te rodeia. As dúvidas, questionamentos e opinões vão acontecer, é natural. Não ache que é para te atacar, te ofender ou debochar – mesmo que seja, responda com carinho, como se a pessoa quisesse saber mesmo.

    Lembra como você ficou com medo quando se viu diante de um mundo tão novo? O mesmo acontece com as outras pessoas. Nós sentimos basicamente as mesmas coisas e temos basicamente as mesmas necessidades ☺️

    Explique, conte o que acontece, divida alguma história, mostre que não é tão ruim quanto parece.
    Mostre fotos de comidas que foram feitas sem glúten/leite/soja/ovos/derivados animais/açúcar (qualquer que seja o alimento que precisa/quer restringir).

    Convide alguém para provar algum quitute ou alguma receita.
    Se vocês gostarem de doce, essa aqui é sucesso.
    Se preferirem salgado, faça essa!

  • Aproveite para disseminar informação.
    As poucas pessoas que responderam meus posts falando que lidam super bem com as restrições, contaram que viram que informar e falar abertamente sobre o assunto fazia com que as pessoas respeitassem mais, pois passavam a entender.

    E eu não tenho como concordar mais! Se todos que têm restrições alimentares resolvessem falar sobre o assunto, as pessoas veriam como é bem mais comum do que elas pensam. Eu já ouvi de muitas pessoas que preferem não falar nada porque não querem ficar explicando. Mas como que os outros vão saber e entender, se nós, que conhecemos a situação, não tocamos no assunto?

    Se não assumirmos que mudar esse cenário depende bastante de nós, a mudança será mais demorada.

    Fale numa boa, sem problematizar, sem romantizar, sem julgar, sem forçar a barra, apenas contando o que é. Dê dicas do que servir, de como incluir, de como preparar. Se quiser uma ajudinha, esse post aqui é bem legal de passar 🙂

    Muitas pessoas MESMO me contaram que a princípio eram muito criticadas, mas que com o passar do tempo, as mesmas pessoas que criticavam começaram a demonstrar mais interesse e participar mais.

  • Aproveite a situação para trabalhar sua empatia.
    Se você contou algo sobre si (como por exemplo que tem alguma restrição alimentar) e a pessoa não demonstrou empatia e interesse algum, só conseguiu criticar, não entendeu e não quis entender: as chances dessa pessoa estar batalhando com algo em si mesma é grande.

    Tente trazer amor para a conversa. Traga empatia e seja você a pessoa a não reagir com grosseria, julgamentos e rispidez.

    Respire fundo e diga o mantra: não sou eu, não sou eu, não sou eu. Logo em seguida, retome a conversa sem reagir ou se fechar.

    Se não conseguir, retire-se e vá fazer outra coisa.

  • Aproveite a situação para separar o joio do trigo, com o perdão do trocadilho.
    Algumas pessoas simplesmente estão lidando com muitos problemas próprios para conseguir enxergar os outros como pessoas que também têm suas questões e querem se sentir acolhidas. Se você não ver vontade genuína dessa pessoa de sair dessa, afaste-se.

    Pessoas tóxicas, intoxicam.

    Você merece acolhimento, amor e compreensão – não passe seu tempo com quem não concorda com isso.

  • Aproveite a oportunidade para aprender a pedir ajuda.
    Esse é um grande desafio para grande parte de nós. Pedir ajuda requer vulnerabilidade, e temos medo de nos mostrar vulneráveis e não sermos acolhidos.

    Mas, por experiência própria, assumir que precisamos de apoio, ajuda e acompanhamento, é libertador.

    Procure alguém que você ame e que você sabe que estará ao seu lado e diga como se sente e que gostaria de ajuda. Não tem problema sentir medo, nem vergonha e nem pedir ajuda.

    Se possível, procure um terapeuta ou psicólogo, o trabalho e acompanhamento profissional vai ajudar muito!

  • Aproveite para tornar-se um estudante.
    Faça desse momento uma oportunidade para crescer, buscar conhecimento, estudar e se conhecer.

    Não aceite o papel de vítima.

    Acredite que você é muito capaz de aprender a conviver com tudo o que está acontecendo.

    Uma ideia é começar a observar os acontecimentos e reações das pessoas, por exemplo:

    • Comece a perceber quais pessoas reagem melhor quando se deparam com suas restrições alimentares e veja o que elas têm em comum.
    • Quando alguém reagir mal, com piadas, deboche, grosserias, veja se consegue entender o que pode estar por trás.
    • Observe quem se importa genuinamente e veja o que elas têm em comum.

    Depois, veja o que você admira mais nessas pessoas e use como inspiração para buscar o seu melhor.

Para resumir, os passos que podem te ajudar a melhorar o convívio social:

  • Não reaja. Pare e pense.
  • Tenha empatia com quem te criticou/julgou.
  • Informe.
  • Lembre-se que algumas pessoas estão envolvidas demais com suas próprias questões e perdem sua capacidade de olhar e entender o próximo. O problema não é você.
  • Tudo bem se afastar de pessoas negativas e tóxicas.
  • Peça ajuda.
  • Busque sempre o conhecimento.

Espero que isso te ajude e dê forças.

Com amor,

Flavia.

Sobre o Autor

Flavia Machioni

Flavia Machioni

Eu sou a Flavia, autora do Lactose Não. Sou especialista em cozinha natural, Health Coach formada pelo IIN/NY e Relações Públicas de formação. Faz 7 anos que venho mudando meu estilo de vida para ter mais saúde e bem estar e divido grande parte desse caminho aqui e em minhas redes sociais.

6 comentários em “6 dicas para melhorar o convívio social

  • 31 de março de 2018 at 22:35
    Juliana

    Flavia, eu amei! Muito obrigada pelo post!

    Reply
  • 19 de junho de 2018 at 21:28
    Bruna

    Esse texto me ajudou muito! Muitas vezes me afastei por receio de ir a algum lugar, ter comida da qual eu não poderia comer e ficar com vontade.

    Reply
  • 24 de junho de 2018 at 15:36
    Julia

    Flávia, acompanhia sua página, pois amo suas receitas e elas dão super certo. Tenho duas filhas, uma alérgica ao leite, a outra a leite, oleoginosas e trigo.
    Mas decidi escrever pq esse texto me ajudou de outra forma. Tenho transtorno psiquiátrico e tudo que escreveu foi válido para mim. Meu sonho é montar um blog pra justamente ajudar pessoas como eu. Mas ainda estou num momento de sobrecarga e estou sempre adiando. Mas tudo a seu tempo. Adoro vc e espero um dia conseguir fazer um curso presencial. Bjos

    Reply
    • 25 de junho de 2018 at 18:10

      Oii Julia!!
      Ah que alegria saber que foi válido o texto! ❤️
      Concordo, tudo a seu tempo. Mas se é uma ideia recorrente, vale o esforço de começar mesmo achando que não estamos prontas.
      Se posso te dar um conselho: faça o blog! Dividir o que sentimos com os outros é transformador, ainda mais quando recebemos mensagens tão queridas como a sua.
      Assim que colocar no ar, por favor me envie o link. Vou adorar acompanhar você!
      Um beijo!

      Reply
  • 13 de julho de 2018 at 19:38
    Rose

    Oii Flavia!

    Amo sua página. Sobre essa questão do convívio social ( sempre leio esse post quando começo a “ficar para baixo”), é muito complexa mesmo. Tenho intolerância a lactose, pimenta e gordura (ate um fio de óleo no preparo é um problema para mim). O difícil não é ter que me alimentar antes de ir para alguma refeição em que fui convidada ou levar uma marmita (sei que é difícil o preparo da minha refeição). Difícil é me tornar o centro das atenções ou ter que ouvir comentários como “vc não vai comer nenhum pouquinho?” ou “ai que dó ela vendo todo mundo comer”. Isso é muito cansativo. Obrigada pela ajuda. Bjsss

    Reply
    • 16 de julho de 2018 at 15:39

      Oii Rose!
      É cansativo mesmo, eu sei.
      Claro que o ideal é que a gente não se afete com essas pessoas, mas tem dias que não conseguimos e é bom expressar nossa insatisfação e/ou chateação.
      Fale que não é legal ouvir isso e que não gosta de se sentir assim, com jeito e educação conseguimos “educar” os outros e mostrar que um pouco de empatia faz bem a qualquer um 🙂
      Boa sorte, querida.
      Um beijo

      Reply

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