Vergonha e o prejuízo na vida social

Quantos aqui já se sentiram esquecidos, diminuídos, inferiores ou não participantes em reuniões de amigos/família depois de descobrir as intolerâncias alimentares?

Se eu te disser que vergonha e o prejuízo na vida social estão de mãos dadas, bem juntinhos, talvez você não concorde a princípio comigo, mas te convido a ler este post até o final e tirar suas conclusões.

Não são poucas as mensagens que recebo contando como sentem dificuldade de frequentar jantares, eventos, festas, happy hour, depois de ter que restringir algum alimento ou grupo alimentar.

Eu mesma já sofri (e ainda sofro) com isso. Não foram poucas as vezes que fiquei chateada, frustrada, triste e com raiva em restaurantes, casa de familiares, casa de amigos, casamentos, eventos ou festas.

Já passei por situações chatas com meu namorado, com minha mãe, com meu irmão, com minhas amigas – basicamente com todo mundo que convive comigo. Foi tanto que até hoje eles têm certo receio de sairem comigo para jantares ou festas – já ouvi de alguns que nunca sabem o que esperar, porque de repente eu fecho a cara e fica um clima chato.

Eu me sinto horrível! Todos ficam tensos, constrangidos e eu me sentindo rídicula porque não consegui fingir que estava tudo bem.

Eu sinceramente espero que você não passe por isso, mas sei que muitos de vocês passam.

Procurando entender o que acontece e inspirada pelo livro que estou lendo, “A coragem de ser imperfeito” da Brené Brown, fui pesquisar.

O que fiz?

Perguntei no meu Instagram quem já sentiu vergonha por causa de suas restrições alimentares.

Das 3165 pessoas que participaram, 55% disseram que sim e 45% disseram que não.

Depois, perguntei se já haviam preferido não falar sobre o assunto a ter que “se explicar”.

Das 3126 pessoas que participaram, 76% disseram que sim e 24% disseram que não.

Recebi mais de 100 mensagens respondendo a segunda pergunta (veja na galeria abaixo algumas respostas) e as principais justificativas para não quererem falar sobre o assunto eram:

  • Ter que ouvir alguém falando o que você deveria fazer ou não fazer.
  • Lidar com atitudes e opiniões que diminuem a questão. Por exemplo, dizer que é psicológico/emocional, falar que se tomar remédio resolve ou que um pouquinho não faria mal.
  • Se sentir desconfortável quando tem que tomar comprimidos ou usar medicamentos na frente dos outros.
  • Se sentir desconfortável ou acanhada quando alguém faz algo especial para elas.
  • Ficar constrangida quando a pessoa se sente mal por não ter o que oferecer a ela.
  • Não ter paciência para explicar.
  • Preferir não explicar porque tem gente que vai duvidar.
  • Se sentir como se fossem coitadinhos(as).

 

Achei curioso, pois segundo a pesquisadora e autora Brené Brown, na palestra que deu no TED Talks, vergonha é o medo de desconexão e acontece quando acreditamos que existe algo em nós que se mostrarmos ou falarmos, vai fazer com que as pessoas não se conectem conosco.

Então, na verdade, a maior parte das pessoas que participaram da minha pesquisa tem vergonha sim, apesar de várias afirmarem que não.

Os sentimentos que percebi em comum em nós, nessas situações em que estamos com vergonha, foram:

  • Raiva
  • Frustração
  • Preguiça
  • Indiferença
  • Tristeza
  • Irritação
  • Vitimismo
  • Constragimento
  • Vergonha
  • Culpa

Muitos desses sentimentos geram comportamentos que visam nos proteger. 

No meu caso, como contei acima, eu tenho uma tendência enorme de ficar com a cara fechada, mal humorada e ser ríspida com quem está próximo – mas a verdade é que eu estou triste, com raiva, constrangida, frustrada e me sentindo muito culpada.

Isso é complicado porque no momento que agimos assim, sentimos que estamos perdendo a conexão com quem amamos, e aí vem a vergonha, o medo de sermos abandonados e nos fechamos.

Não queremos mais nos expor, porque já fizemos isso e não foi legal. Isso te soa familiar? 😕

Uma das estratégias que mais vejo sendo utilizada é o isolamento.

Pensamos que já que não estão nos compreendendo, é melhor ficarmos sozinhos, não falarmos, fingirmos que não temos nada e que está tudo bem.

Eu sinceramente não acho que esse é o caminho.

Até porque, normalmente, é uma situação nova para todos. Para você, sua mãe, sua família, seu namorado(a), seus colegas de trabalho. Ninguém sabe exatamente como lidar.

É novo e por isso assusta – todos os envolvidos.

Quando decidimos esconder ou isolar alguma parte nossa, estamos excluindo e colocando uma conotação bem negativa. Fica bem difícil conseguir extrair algo positivo quando partimos daí.

Eu sei como tudo isso pode ser horrível, mas sei também que tem como não ser.

Amanhã vou dividir algumas sugestões de estratégias para mudar isso e melhorar o convívio social. Fique ligado e me acompanhe nas redes sociais:

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Se você gostou deste post indico esse da nutricionista Pri Riciardi.

Um beijo com carinho.

 

Sobre o Autor

Flavia Machioni

Flavia Machioni

Eu sou a Flavia, autora do Lactose Não. Sou especialista em cozinha natural, Health Coach formada pelo IIN/NY e Relações Públicas de formação. Faz 6 anos que venho mudando meu estilo de vida para ter mais saúde e bem estar e divido grande parte desse caminho aqui e em minhas redes sociais. Desenvolvi um método de 6 semanas para auxiliar quem também está nessa busca. O Com amor, sem restrições 💕, de agosto pra cá, ajudou mais de 140 pessoas a se sentirem bem, com saúde, vitalidade e leveza. Confira aqui no site e participe da próxima turma!

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