Não é intolerância alimentar, é estresse!

Não é intolerância, é estresse!

Texto da nutricionista Pri Riciardi – @nutripri_riciardi

Sei que este post pode dar o que falar, mas ele é necessário!

Conversando com a Flávia sobre temas para serem abordados aqui, esse assunto do estresse e intolerâncias veio à tona,  pois é o que vejo muito na clínica e já sentimos (eu e a Flávia) na pele.

A minha visão de trabalho com a nutrição integrativa busca não só tratar as consequências e sim as causas. Mas mesmo fugindo dos modelos tradicionais de tratamento, às vezes as causas são um pouco mais profundas do que parecem à primeira vista.

As intolerâncias e alergias existem sim. O desequilíbrio do intestino, e a disbiose são fato. O glúten, leite, clara de ovo, castanhas e outros podem fazer mal para muitas pessoas, não só a nível gastrointestinal, mas cognitivo e comportamental. Porém, um grande gatilho disso tudo pode ser o estresse.

 

Com o tempo fui observando um perfil clássico das pessoas sensíveis aos alimentos: uma auto cobrança grande, busca pela perfeição em tudo que fazem, necessidade de controle, exagero na dedicação – com a saúde, exercício, trabalho – ansiedade e agitação considerável.

Traduzindo, esse perfil comportamental por si só já é altamente estressante, independente da situação externa.

Você não precisa se conformar com ” o que você sente é psicológico!” Sei o quanto essa fala pode ser irritante. Então, vamos a algumas razões fisiológicas:

  • A base do estresse é a desregulação da liberação de cortisol. Inicialmente ele pode estar alto o dia todo ou muito alto em um momento e baixo em outros. Quando o estresse é crônico há uma queda de sua produção (conhecido como fadiga da adrenal). O cortisol é um hormônio, e assim como todo hormônio ele impacta de forma sistêmica no corpo e na produção de outros hormônios

 

  • O estresse por si só reduz a secreção de enzimas digestivas do estômago, intestino, pâncreas e fígado. A melhor prova disso é aquela sensação de comida intalada quando rola uma situação desagradável na hora da refeição. A má digestão, como já falamos aqui, é o primeiro passo para a inflamação do intestino, desconforto intestinal, disbiose  e intolerâncias alimentares.

 

  • O estresse aumenta a permeabilidade intestinal, diminuindo a barreida protetora do intestino e facilitando a entrada tanto de bactérias ruins como proteínas alimentares alergênicas.

 

  • O fígado é o grande metabolizador de tudo o que ingerimos, mas também o que sentimos. Um corpo estressado ou cheio de raiva, ansiedade, tristeza é um corpo com o fígado sobrecarregado. As intolerâncias estão intimamente ligadas com a capacidade de metabolização do fígado. Se ele está fraco não faz boa digestão dos alimentos e também não faço uma boa detoxificação. Assim, o corpo vai ficando mais intoxicado, sensível e intolerante.

 

  • O cortisol alterado afeta o metabolismo da tireóide, que por sua vez altera a produção de muco do trato digestivo. Menos proteção novamente.

 

  • O estresse é regulado por um mecanismo chamado fight ou fligh (literalmente lute ou corra). Esse mecanismo é o oposto do mecanismo de relaxamento, ideal para uma situação de digestão e absorção de nutrientes. Se você está em um corpo preparado para lutar e correr, não está em ótimo estado para digerir e absorver.

 

  • E se os argumentos ainda não foram suficientes, há um eixo já bastante conhecido que é o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, muito estudado em doenças psicossomáticas, que deixa claro a atuação que o estresse tem na ativação das conexões nervosas (lembrando que o intestino é um órgão altamente inervado – por isso segundo cérebro. A SII, por exemplo, é um caso bastante emocional).

 

O passo de compreender que talvez não sejam os alimentos que te fazem mal, mas você mesmo que se faz mal é doloroso, e o processo de aceitação pode ser difícil e demorado.

Isso não quer dizer que após terminar esse texto você pode dizer “é emocional, agora posso comer de tudo que estarei bem”. Nesse ponto, há um desequilíbrio, e a busca desse reequilíbrio pode ser tratada, mas tende a ser demorada. Muito (muuuuito) mais demorada que tomar uma lactase ou tirar o glúten da sua vida.

 

“Tá Pri, você está me dizendo que tudo que escreveu até hoje não vale? A forma de processamento dos alimentos, disbiose….?”

Não, nenhum desequilíbrio tem causa única. É sempre uma soma de fatores. Mas, não deixe de colocar os seus sentimentos na conta. Eles podem ser mais de 50% da causa. Retome os fatos de sua vida. O que aconteceu de 6 meses, há 2 anos… antes de começarem seus desconfortos? Como estava sua vida?

 

E a nutrição e o estrese…..

Sempre digo aos meus pacientes, vou tentar te ajudar a segurar as pontas, mas você também precisa fazer sua parte (trabalhando para mudar sua forma de pensar, agir e sentir).

O segurar as pontas compreende o uso de adaptógenos (plantas que ajudam a reduzir os efeitos do estresse no corpo), simplificar a alimentação, otimizar a detoxificação e a digestão, melhorar a proteção do intestino e tentar amenizar os efeitos inflamatórios (o estresse é altamente inflamatório!), ouvir e acolher!

 

Por hoje era isso!

Uma respirada funda pra vocês 😉

Bjs da Pri.

IG: nutripri_riciardi

nutripririciardi.com

Sobre o Autor

Priscila Riciardi

Priscila Riciardi

Sou nutricionista por paixão! Acredito que a alimentação saudável é um caminho de auto conhecimento e não um monte de regras nutricionais. Para cada pessoa e momento de vida há um alimento e um estilo alimentar. Sempre que posso, adoro criar na cozinha e transformar conhecimento em sabor.

30 comentários em “Não é intolerância alimentar, é estresse!

  • 28 de novembro de 2017 at 20:09

    Consigo perceber em mim perfeitamente o que você fala neste post… intolerâncias, má digestão, síndrome de intestino irritável… e vejo que tudo melhora muito quando não estou estressada.. mas o mais difícil é não se estressar.. como fazer essa mágica? Só consigo se tomar um calmante (sempre fraco, tipo paciflora ou algo do gênero). Porém não é legal depender de remédios, né? Mas incrível esse texto. Como sempre o site arrasa! Abraços.

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    • 8 de janeiro de 2018 at 17:30

      Oi Kátia, que bom que se identificou! CUidar do estresse não é fácil mesmo. Vale a pena pensar em práticas de atividade física ou yoga, reconhecer e saber lidar com os sentimentos e na clínica uso muito alguns fitoterápicos pra ajudar no processo. Um abraço, nutri Pri Riciardi

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  • 28 de novembro de 2017 at 21:58
    Erica

    Perfeito. Me representa este artigo. Parabéns pelo trabalho e obrigada por nos ajudar na busca de mais qualidade de vida.

    Reply
  • 28 de novembro de 2017 at 23:02
    Ana

    Oi Pri e Flávia!
    Adorei o texto, assim como amo o site.
    Acredito que, em mim, o stress potencializa tudo que tem de ruim no corpo. Mas, acho que o stress também gera efeitos no corpo de quem não tem alergia.
    Sinto que mesmo quando estou bem e tranquila a reação continua grande.
    Já fiz esse teste de tanto ouvir que é psicológico.
    De qualquer forma o stress e ansiedade não fazem bem para ninguém. O importante é tentar diminuí-los da nossas vidas e comermos o que nos faz sentir bem!
    Obrigada pelo post!! Me ajudou a me ver melhor e relembrar a importância de cuidar de tudo não só da alimentação! Um beijo nas duas!

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    • 8 de janeiro de 2018 at 17:28

      OI Ana! Que bom que gostou do post. Você está super certa, o estresse também gera efeito no corpo de que não tem alergia. O bom é ir aprendendo a cuidar dessa parte também, que não é nada fácil, né? Beijos, Pri

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  • 29 de novembro de 2017 at 10:55
    Lilian

    Perfeito!! concordo plenamente porque é exatamente isso que está acontecendo comigo. Fui diagnosticada com intolerância à lactose e uma gastrite erosiva em um momento bastante estressante…até mesmo um pouco após esse momento. Hoje os sintomas já são muitos reduzidos e apenas alguns alimentos me trazem desconforto.

    Reply
    • 8 de janeiro de 2018 at 17:26

      Perfeito Lilian, que bom que conseguiu identificar isso!

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  • 29 de novembro de 2017 at 13:12
    Ana

    Falem mais sobre isso, por favor…. Me identifiquei DEMAIS!

    Reply
  • 29 de novembro de 2017 at 17:39
    Debora

    Obrigada ❣️

    Reply
  • 11 de dezembro de 2017 at 11:19

    Olá! Me identifiquei muito com esse post, porque promovi umas mudanças na minha alimentação ano passado, com ajuda de uma nutricionista; juntamente com um trabalho de mudança comportamental, tentando diminuir o estresse… Fez bastante diferença! Nos últimos dois meses dei uma descambada e voltei a sentir desconforto, mas estou voltando aos bons hábitos. 🙂

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    • 8 de janeiro de 2018 at 17:24

      OI Evana! Que bom que se identificou e já está conseguindo mudar! Parabéns! Beijos, nutri Pri Riciardi

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  • 15 de dezembro de 2017 at 15:20
    Caroline Baumann

    Obrigadaa! Que texto maravilhosi! ❤️

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  • 20 de dezembro de 2017 at 18:40

    Adorei seu texto!!! Parabéns e obrigada pela sensibilidade e percepção!
    Como é raro encontrar profissionais assim!
    “Estou” (e talvez “fiquei” – não sei ainda como e se essa situação pode ser revertida) intolerante à lactose, glúten e outras coisas que ainda não tenho certeza, além de ter síndrome do intestino irritável. Tudo isso é consequência de um rotina estressante (há muito tempo) que infelizmente não dei atenção que deveria, (além de achar que era super resistente e que nada aconteceria comigo)…
    Pois bem, já estou há 03 anos entre descobertas, tratamentos, erros, às vezes acertos… tentando me adaptar e me recuperar. Mas praticamente passo mal (digestão lenta, gases, refluxo, diarreia, constipação, sensação de saciedade) com alguma coisa umas 3x por semana, às vezes até a água me estufa! Já passei com diversos profissionais e fiz diversos tratamentos (ainda faço), mas tenho consciência de que para recuperar minha saúde não será da noite para o dia. Tenho estudado muito sobre o intestino, microbiota, alimentação e sei que aí está a chave, mas o mesmo tanto que destruí minha saúde, vou levar para recuperar. Mas vou!!!
    Sou engenheira química e tenho estudado muito sobre tudo isso (estou ficando expert em intestino, stress, alimentação, intolerâncias), tanto que estou prestes a encarar uma nova graduação (Farmácia ou Nutrição) para me ajudar e depois ajudar outras pessoas com o mesmo problema.
    Obrigada e abraços!
    (pena que você não atende em SP ou Brasília)

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    • 8 de janeiro de 2018 at 17:23

      Oi Raquel, que bom que se sentiu representada com o texto. Dependendo do nível do desequilíbrio e da quantidade de fatores causais envolvidos as coisas demoram um tempo maior pra se reestabelecerem mesmo. Mas tem que se tratar como um todo, melhorando digestão, estresse, hormônios…
      Que bom que está estudando bastante sobre o assunto. Fico à disposição pro que precisar: [email protected]

      Beijos, nutri Pri

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    • 16 de janeiro de 2018 at 17:12
      Aghata

      Interessante. Já vou falar em kefir?o que vc acha?

      Reply
    • 31 de março de 2018 at 0:13

      Raquel martins os seus sintomas são iguais os meus e fiz tratamento com um ÓRTOMOLÉCULAR em Basilia e foi a minha salvaçao. espero q vc encontre um para tratar o seu problema se vc quiser falar sobre o assunto e eu poder te ajudar me mande um zap : 61/999556563 Tony.

      Reply
  • 30 de dezembro de 2017 at 15:44
    Maysa

    Esse texto também me representa e agora faz muito sentido pra mim , pq há vinte anos iniciaram os desconfortos e a constipação , justamente em um período muito estressante que foi durante o vestibular. M as, esses sintomas perduram até hoje é só agora que fui diagnosticada com intolerância à lactose e em investigação quanto ao glúten, e mesmo seguindo uma alimentação segundo orientação, a resposta ainda é muito lenta.

    Reply
    • 8 de janeiro de 2018 at 17:20

      Oi Maysa, que bom que se identificou com o texto.
      Muitas vezes o stress impacta na digestão como um todo que causa essas intolerâncias tardia. Precisa focar no reestabelecimento do corpo além das intolerâncias. Beijos, nutri Pri Riciardi

      Reply
  • 16 de janeiro de 2018 at 17:13
    Aghata

    Muito legal esse site parabéns.

    Reply
  • 31 de janeiro de 2018 at 11:32
    Rita de Cassia

    Concordo plenamente!
    Se pararmos para nos analisar, saberemos exatamente os motivos dos nossos problemas físicos.
    O corpo fala!
    Obrigada pelo texto. Perfeito!

    Reply
  • 4 de março de 2018 at 20:06
    Eduardo

    Há uma linha de médicos clínicos e/ou gastroenterologistas que dizem que estresse não causa qualquer problema estomacal ou intestinal. No máximo, piora quadros já existentes. E dá-lhe Omeprazol! Se não houver problema em responder, o que você teria a dizer sobre esses profissionais? Obrigado.

    Reply
    • 4 de março de 2018 at 21:57

      Pois é! Acredito que replicam o que aprenderam….tratar os sintomas e não as causas.

      Reply
  • 5 de março de 2018 at 11:59
    Thayná Adami

    1 Os problemas intestinais podem ser uma maneira do corpo responder ao estresse, mesmo que a pessoa, psicologicamente não se sinta ansiosa?

    (contextualizando: estou numa fase em que a maioria das pessoas se sentem, no mesmo, desesperadas e ansiosas, mas eu me sinto tranquila. No entanto, tenho tido muitos problemas digestivos e intestinais, orientada a cortar glúten e lactose, me sinto melhor)

    2 Esses problemas intestinais, se devidamente forem diagnosticados como alguma intolerância, ele vai persistir pro resto da vida, ou se eu controlar a mente eles tendem a melhorar?

    3 é possível uma pessoa que sempre consumiu de tudo, se tornar intolerante no meio da vida?

    AMEI O SITE, os artigos e a maneira clara que todas explicam os assuntos
    OBRIGADA 🙂

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  • 11 de abril de 2018 at 11:02
    Lorena

    Parabéns Pri! Acredito firmemente que os sentimentos são as causas do início de tudo que se apresenta no nosso corpo! Tenho um filho de 11 anos passando por dor na barriga há alguns anos, ciclicamente, sem diagnóstico e intitulado decorrente de intestino preguiçoso. Mas, agora que ele sabe dizer o q sente, tem me contado suas dificuldades na escola , com as falas dos colegas, suas dificuldades com os parâmetros que não consegue atender! É muito sofrido ver um filho com essa dor nos olhos! E, apesar de entender que todos estamos no mundo para nos conhecer, nos melhorar e melhorar o mundo a nossa volta…vê -lo nesse processo me arrasa porque queria muiiito ajudá -lo. Ele está em terapia! Acho que as polarizações sobre as diferenças (cor, preferência sexual, down, autista, cadeirante, deficiência visual etc) são um começo necessário! Mas, espero em deus que um dia possamos enxergar QUALQUER ser humano como diferente! Porque o somos! E isso possa ser visto com o amor e a beleza que acolhe, ensina, ajuda e vibra! E que os únicos parâmetros que realmente nos importemos é que sejamos felizes! Um abraço, Lorena.

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  • 5 de junho de 2018 at 22:24

    Fiz vários exames para descobrir nenhum diagnóstico de intolerância, mas sim, a Síndrome do Intestino Irritável. É isso mesmo, apesar de seguir uma dieta adequada, se o emocional não estiver bom, as crises vêm mesmo assim.

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    • 6 de junho de 2018 at 20:02

      É isso mesmo Kivia, na SII o emocional afeta bastante. É bom garantir uma boa digestão tbem e investigar as alergias alimentares

      Reply

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