Ser equilibrado é o único caminho?

Ser equilibrado é o único caminho?

Desisti de ser uma pessoa equilibrada. O que me levou a essa decisão, que deve estar parecendo muito esquisita para você agora,  foi descobrir a obra do psiquiatra José Ângelo Gaiarsa. Ele disse: “o importante não é ser equilibrado, mas ser um bom equilibrista” – talvez sua frase mais famosa. Em tempos de cobrança extrema, de padrões para todos os aspectos da vida, de nunca ter realizações o suficiente, acho que cai bem uma dose de leveza. Ser equilibrado é o único caminho? Talvez no fim desse texto você não tenha tanta certeza.

Não me entenda mal, considero saudável e necessária a busca pelo equilíbrio, mas isso é diferente de ser uma pessoa equilibrada. É que ser uma pessoa equilibrada dá a ideia de algo estático, de seguir alguns passos, tomar algumas medidas pré-determinadas e alcançar o tão desejado equilíbrio. Ótimo, fácil e eficiente, só que se tem uma coisa que a vida não é é previsível. A gente segue toda uma receita, mas acontece um imprevisto. Os nossos objetivos mudam. Viver envolve infinitas variáveis, impossível ter controle sobre todas. E quando as coisas não acontecem conforme o previsto, a gente cai, se frustra, fica perdido e questiona nossa capacidade.

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Só vai!

Agora, vamos pensar num equilibrista, andando numa corda bamba, ou, sendo mais atual, num slack line. Ele tem um objetivo e segue em frente, às vezes fazendo mais esforço para se manter de pé, às vezes brincando com o desafio que enfrenta. Essa passagem nunca é igual, tem dias que exige dedicação extrema, e outros que se tira de letra. Essa metáfora é tão boa que merece uma reflexão, uma analogia com os nossos objetivos de vida e como será o caminho até alcançá-los. Talvez a gente tenha que mudar de estratégia no caminho, talvez a gente mude de caminho, talvez a gente caia e recomece, e tudo bem.

Para terminar da forma mais inspiradora possível, deixo a palavra para o próprio Gaiarsa:

“O importante não é ser equilibrado, fazendo tudo do jeito tido como “certo”, mas ser um bom equilibrista, se mover nesse balanço, indo e voltando, experimentando a variedade da vida sem perder o centro de equilíbrio”.

Leia aqui a entrevista em que ele menciona os trechos que citei.

Eu decidi me libertar da obrigação de seguir uma receita, mas sei que tem que se dê bem com essa forma de viver. Ficarei feliz se meus devaneios fizerem alguém pensar. Então, se tiver alguma opinião sobre isso, fique à vontade para comentar.


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Sobre o Autor

Carla Vailatti

Carla Vailatti

Oi, eu sou a Carla Vailatti, jornalista e intolerante à lactose. Vivo em negociação com meu corpo, porque tento ouvi-lo, mas ele pede muito chocolate. Acredito que todos precisamos buscar informações para sermos protagonistas da própria saúde.

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