Como aceitar diagnósticos

Você já reparou como quanto mais a gente tenta lutar contra alguma coisa, mais parece que essa coisa cresce? Como aceitar diagnósticos e o que a dificuldade em aceitar realmente faz?

Essa semana eu resolvi desabafar aqui com vocês e contar como tem sido difícil aceitar a doença celíaca e foi incrível o que um simples texto fez.

Recebi centenas de mensagens de pessoas que estão passando por situações muito semelhantes. Celíacos que demoraram muito para aceitar o diagnóstico, intolerantes que até hoje não sabem o que causa tanto desconforto, pessoas que não desistem de encontrar uma resposta e uma solução porque cansaram de passar mal e vários desabafos parecidos com o meu.

Foram muitas mensagens mesmo, e eu reparei que além de eu não estar sozinha, todas temos algo em comum: a resistência em aceitar o que é.

Foi impressionante como ao botar para fora a minha dificuldade, dividir com vocês o motivo do meu desânimo, o que isso estava me causando e receber tanto apoio, carinho e mensagens de “Não desiste, Flavia. Você vai conseguir, respira fundo” me fez parar, pensar e decidir aceitar.

Claro, de ontem para hoje não aconteceu um milagre e agora eu aceito plenamente. Mas dividir isso com vocês, ser sincera sobre o que estava me incomodando e ter recebido tanto carinho de vocês me lembrou (de novo) do porquê eu comecei tudo isso e porque que eu não desisto.

Assim como vários de vocês, eu acredito que estamos aqui para aprender e evoluirmos, e eu entendo que os desafios que enfrento no meu dia-dia são maneiras que eu tenho para isso.

Minha vida mudou muito desde que eu descobri minhas intolerâncias e aparentemente vai continuar mudando, e se tem algo que eu aprendi e agradeço é que se eu não estiver atenta, ouvindo os sinais que meu corpo manda, uma hora vai chegar uma conta bem alta para eu pagar.

A escolha é minha.

Eu poderia ter ficado na minha zona de conforto – poderia ter continuado passando mal sempre e achando que é normal, tomando um remédio aqui, outro ali, comendo massa, pães, doce de leite, brigadeiro de panela e pizza toda semana. Eu poderia ter escolhido isso.

Mas eu não quis. Eu não queria mais passar mal. Eu não achava certo eu tão nova estar sempre tão mal.

Ver meu pai sofrer com um câncer no intestino e ir embora tão cedo também me impactou MUITO. Eu lembro de como ele mudou com tudo isso, e lembro também que ele recebia sinais diários de que algo não estava bem. Sempre com dores, problemas intestinais, stress alto, uma vida agitadíssima – e quem ia imaginar que resultaria em um tumor?

Sair dessa zona de conforto foi difícil sim, e é para todo mundo, principalmente no início, quando a maior parte das pessoas te questiona e aí junta com o seu próprio questionamento e você fica se perguntando se não está exagerando, procurando “pêlo em casca de ovo” ou somatizando tudo.

Quem aí nunca ouviu um “mas você sempre comeu, como que agora te faz mal?”. Ou pior “está na moda esse negócio de glúten e lactose”.

A gente já está cheia das nossas dúvidas, passando por uma transformação enorme, e normalmente com a saúde enfraquecida, já que deixamos a conta chegar alta porque não ouvimos os avisos do nosso corpitcho – aí vem esses seres iluminados e cheios de conhecimento sobre os outros dar uma opinião vazia e ignorante, a gente fica como?! 😳

Por isso a meditação e o autoconhecimento têm sido fundamental para mim. Ninguém conhece mais a gente do que nós mesmos.

O autoconhecimento é um processo. Precisa saber o que você quer, o que você gosta de fazer, com quem você gosta de estar – de verdade! Como comentei no último post, eu tenho buscado forças para tudo isso nesse processo. Eu sempre gostei da filosofia da Yoga e hoje encontrei um bem enorme na prática da meditação.

Só quando a gente se conhece que conseguimos manter nossas escolhas e enfrentar as dificuldades, porque você tem certeza do que você quer para você e no fundo você sabe exatamente o que precisa fazer para isso.

Ou seja, se está difícil para você aceitar uma doença, uma alergia, um tratamento, uma opinião é porque você precisa MUITO passar por isso para crescer e evoluir. 

É nesses momentos, de dificuldade, que temos a oportunidade de aprendermos e nos desenvolvermos. É exatamente nesse momento que você vai conhecer você mesma e é só passando por isso que você vai alcançar a plenitude 😌.

Como dizem, mar calmo nunca fez bom marinheiro.

Por isso, se você está em um momento parecido com o meu, com dificuldade em aceitar e acaba sempre escapulindo do tratamento, fazendo algo que você sabe que te machuca, pare e reflita.

O que está faltando aí dentro que você acha que a comida vai resolver?

No meu programa online eu falo MUITO sobre isso, sobre os aspectos da nossa vida que nos nutrem muito mais que a comida. Os alimentos primários: saúde, relacionamentos, carreira, atividade física, auto-estima, finanças – quando algum desses não vai bem, reflete diretamente nas nossas escolhas alimentares e na nossa saúde. Mas um vem ANTES do outro, e não depois.

Por isso que o autoconhecimento é importante.

Dificuldade sempre vamos ter, mas quando estamos em paz com nossas escolhas e decisões, nós temos muito mais força para atravessar os baixos.

Fiz esse post ontem no Instagram e queria compartilhar aqui também:

Oh o #antesedepoisln passando para te dar um ânimo aí 🙌🏼. As duas primeiras fotos são de 2009, não sabia minhas alergias alimentares e não fazia ideia o que era comer bem. Eu vivia de pastel, sanduíche, pizza, doces, sorvete e drinks. Pois é, alimentação cheia de glúten e lácteos. Alimentação e vida totalmente inflamatória 😱. Sabia de nada, inocente. Eu uso as imagens para mostrar o impacto que minha escolha teve do lado de fora, mas o que mais mudou nesses 8 anos foi o lado de dentro. E foi só com a mudança de mentalidade que hoje manter a casquinha da foto do biquíni branco não é sofrimento pra mim. Foi um mega impacto pra mim descobrir que o que eu comia todo dia, várias vezes por dia, me fazia tão mal. Eu gostava tanto, poxa! Não é que nasci amando verdes, grãos e comida integral. Eu adorava era bolacha recheada, nuggets e batata frita hahahah. Mas não dava mais. Eu estava sempre muito mal!!! Muita dor, problemas hormonais, pele cheia de alergia, gordura abdominal que não saía de jeito nenhum, problemas de digestão constante, desânimo , dor de cabeça…e a lista vai. O corpo mostra quando algo não vai bem, e se não ouvimos, uma hora a conta chega alta. Pra mim chegou como doença autoimune e um intestino ultra sensível. Pago a conta até hoje, virou tipo financiamento da casa própria 😂. E você, amiga? Vai ouvir os sinais ou esperar o boleto chegar? Não espera, não. Vem comigo que eu posso te ajudar a lidar melhor com tudo isso e aprender de uma vez por todas o que um ESTILO DE VIDA saudável é ❤️. Deixa um oi aqui que te envio por direct as infos da última turma do ano do meu programa de coaching online, começa dia 9/10 🙌🏼🙋🏻🕺🏼

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As últimas semanas têm sido difíceis? Muito! Eu vou desistir? De jeito nenhum!!

Apesar das crises, das dúvidas, da chateação e até da velha pergunta “porque logo eu?”, eu sei que eu consigo passar por tudo isso. E se de quebra eu ainda conseguir te ajudar dando força, enviando carinho e criando espaço para você se sentir incluído, melhor ainda.

Muito do que vejo aqui, comigo e com vocês, mostra que a nossa cabeça e nossas emoções barram nossa melhora muito mais do que as escolhas na alimentação. Concorda?

Eu acabei de criar um grupo no Facebook para conseguirmos discutir e conversar mais e quero muito a sua participação. Clique aqui e peça para participar.

Na próxima semana vou fazer uma meditação guiada com vocês para a gente começar nossa caminhada rumo a vida que merecemos 💕.

Deixe aqui um comentário para eu saber se gostou da ideia e o que acha sobre o assunto, combinado?!

Um beijinho e ótimo fim de semana!

Sobre o Autor

Flavia Machioni

Flavia Machioni

Oiii, eu sou a Flavia, autora do Lactose Não. Aqui, divido minhas invenções na cozinha, dicas de viagem, mostro meu estilo de vida e passo um pouquinho do que tenho aprendido desde que descobri ter alergias alimentares ao glúten e leite :)

8 comentários em “Como aceitar diagnósticos

  • 7 de outubro de 2017 at 13:23
    Naísia

    Poxa, Flávia, eu já gostava de você, porque aprendo bastante com você e minha relação com comida e rotinas digestivas já mudou muito… e agora mais essa: meu pai também morreu de câncer de intestino. Beijos e abraços, e obrigada. Você faz diferença na vida das pessoas.

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  • 7 de outubro de 2017 at 13:33
    Michely

    Oi Flávia, me identifico muito com suas palavras. É difícil mesmo a transição, mas tenho sido bastante forte, assim como vc. Continue sempre trazendo informações e receitas super especiais. Vc foi minha primeira influência depois que descobri as intolerâncias, vc nem imagina o quanto me ajudou, foi fundamental saber que outras pessoas passavam pela mesma busca que eu. To contigo!! 😃😃😃 Beijo grande!!

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  • 7 de outubro de 2017 at 14:58
    Maitê

    Que linda!!! Concordo plenamente contigo. E mesmo com algumas escapulidas do tratamento, quando a gente tem a consciência e sabe o que nos faz bem ou mal, a aceitação se torna mais fácil. Estamos todos juntos a caminho da saúde plena, Flávia!
    Beijos!

    Reply
  • 7 de outubro de 2017 at 15:47
    Karolina

    Amei 😍😍relata muito oque estou vivendo no momento ainda não consegui me adaptar totalmente a uma vida sem glúten e sem lactose ,mas com fé vou conseguir vencer não é fácil só quem passa por isso sabe o quanto é difícil mudar todo um hábito.. adoro seus posts Sempre te seguindo bjos

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  • 7 de outubro de 2017 at 16:06
    Ka

    Oi Fla, seus post tem me ajudado muito na aceitação da doença e como lidar melhor com isso em todos os aspectos. Não é fácil mesmo, quando algo me contamina levo dias (até semanas) para melhorar e meu corpo desintoxicar.
    Parabéns pelo seu trabalho e muito obrigada por dividir conosco sua vida! Beijos

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  • 7 de outubro de 2017 at 17:16
    Cláudia

    Adorei a ideia do grupo. Já solicitei a participação. 😊

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  • 8 de outubro de 2017 at 7:10
    Tania Hristova

    Ola Flávia! Tenho intestino inflamavel e tudo isso faz sentido para mim… só nos sabemos a “nossa luta” e tudo que precisamos para ter saude..
    Admiravel é existir pessoas como tu que só fazem estas partilhas do bem, juntos somos mais fortes sim 😉

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  • 8 de outubro de 2017 at 23:15
    Lalá Ramos

    Sabe Flávia e demais pessoas que lerem, eu aprendi desde fevereiro (quando descobri que tenho intolerância a lactose) que algumas pessoas julgam sem saber o quão difícil é ter uma alergia alimentar e realmente pra mim,a intolerância me ajudou a entender que eu tenho que comer melhor pois o que está em jogo é a minha saúde e sem saúde não somos nada! Flávia você me ajuda diariamente a enfrentar essa situação e quero te agradecer imensamente por tudo o que você faz! Um beijo,melhoras e segue a vida!!!

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