A descoberta da intolerância à lactose

A descoberta da intolerância à lactose

Hoje resolvi escrever sobre a descoberta da intolerância à lactose.


Aqui no Lactose Não já vi alguns depoimentos, você pode conferir alguns aqui, e me motivou a escrever a minha história também.

O blog foi muito importante para mim quando descobri que sou intolerante à lactose. Foi aqui que encontrei as informações e receitas que me deixaram mais seguras para enfrentar esse desafio. Nos últimos anos, tenho procurado levar uma vida mais saudável, e agora estou  feliz em poder dividir com vocês o que aprendi em minhas humildes pesquisas, leituras e – principalmente – experiências.

Tem muitas coisas que quero contar, mas para que vocês entendam minhas escolhas, acho importante conhecerem um pouco da minha história. Tenho 29 anos e há dois descobri que sou intolerante à lactose, mas lembro de ter sintomas desde a infância, ainda que de forma mais discreta. Por mais de 20 anos sofri com rinite e nariz entupido, coisas que diminuíram depois que parei com os laticínios, além da prisão de ventre, que tenho até vergonha de falar, mas sei que me entendem, porque né, acho que de alguma forma estamos no mesmo barco. Desde o início da faculdade (faz mais de dez anos – sou formada em jornalismo), sentia dores de cabeça quase toda a semana, às vezes dias seguidos. Mais adiante, tinha cólicas e inchaço na barriga, mas cada vez atribuía isso a uma coisa diferente. Jornalista trabalhar até mais tarde é tão tradicional quanto o lanche típico desses momentos: pizza. Aí vocês imaginam eu fechando edição de jornal nessa situação. Só em 2014 tive o diagnóstico, e por um motivo que nem me incomodava tanto perto disso: pele oleosa.

a descoberta da intolerancia a lactose

É amiga, nossa relação está abalada

Eu estava com a imunidade baixa, vivia com algum tipo de virose. Por causa de uma faringite, tive que tomar antibiótico e anti-inflamatório, o que fez piorar o que já não ia bem: meu intestino. Nessa fase fui na dermatologista, por outro motivo, e a oleosidade do meu rosto chamou a atenção dela. Ela disse que o consumo de leite causa essa reação em algumas pessoas. Eu fiquei meio contrariada, mas decidi cortar leite e derivados por uns dias para fazer o teste. Para minha surpresa, senti pouca diferença na pele, mas na barriga, uau, que alívio! Nem sabia mais como era não sentir cólica, não chegar em casa louca para abrir o botão da calça. Com mais algumas experiências, logo associei isso ao leite e… por mais que tenha ficado feliz por ter melhorado, meu mundo meio que caiu, porque é difícil abrir mão de comer a maior parte do que estava acostumada, incluindo café com leite, minha comfort food desde a infância.

No início achei que ia me virar sozinha, que era só evitar leite e pronto. Mas eu não conseguia me organizar e acabava comendo alimentos que me faziam passar mal, e às vezes sentia estufamento, cólica, refluxo e outros desconfortos sem saber porquê. Eu já tentava ter uma alimentação saudável, mas achava ok comer industrializados fit, light e falsos integrais todo dia, pensamento que hoje já mudei.

Retornei à nutri que consultava, e ela recomendou tratamento com glutamina e probióticos. A melhora ficou evidente, mas eu ainda sentia desconfortos, por isso decidi ir ao gastroenterologista. Contei que passava mal às vezes mesmo sem ter comido laticínios, e que não conseguia achar uma explicação. Ele solicitou todos os exames possíveis, inclusive o teste de tolerância à lactose, que eu ainda não tinha feito, e que confirmou o que já sabíamos. Fora isso, nenhum outro diagnóstico justificou meus sintomas.

Diante disso, o médico explicou que os meus desconfortos não tinham causa física ou química, ou seja, os sinais apontavam para uma desordem funcional, a Síndrome do Intestino Irritável (SII). Pessoas com essa condição não têm uma doença que possa ser vista ou medida, mas o intestino não funciona normalmente. Eu já estava em crise existencial por causa da intolerância à lactose, aí segui a vida meio que ignorando esse outro problema. Pensei que meu intestino estava mais sensível por causa da intolerância, mas que iria melhorar depois de um tempo. De fato melhorei, mas ainda tive, e tenho, uns períodos mais críticos. Recentemente, fui até para o atendimento de emergência, porque a dor estava tão intensa pensei que podia ser algo mais grave.

Como tratamento para os sintomas de SII, o médico recomendou, entre outras orientações, diminuir os alimentos ricos em Fodmaps. Fodmap é a sigla para Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides e Polyols, que são carboidratos não digeridos pelo sistema digestivo humano e que acabam fermentando no intestino, causando desconforto em algumas pessoas.


Como a história é grande, hoje paro por aqui, mas continuo num próximo post 🙂

Para quem quiser saber mais sobre SII e Fodmaps, deixo dois links do Blog:  Síndrome do intestino irritável e alimentação e Fodmaps – o que são.

Também passou muito aperto antes de descobrir a intolerância? Tem uma história parecida? Fique à vontade para contar, vou adorar trocar ideias!

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Sobre o Autor

Carla Vailatti

Carla Vailatti

Oi, eu sou a Carla Vailatti, jornalista e intolerante à lactose. Vivo em negociação com meu corpo, porque tento ouvi-lo, mas ele pede muito chocolate. Acredito que todos precisamos buscar informações para sermos protagonistas da própria saúde.

1 comment on “A descoberta da intolerância à lactose

  • 15 de janeiro de 2020 at 2:21
    Jhoniele

    Olá, sou Jhoniele! Flavia, me identifiquei demais com a sua história sobre a descoberta da intolerância a lactose. Eu tinha sintomas muito parecidos, só não a prisão de ventre, mas tinha vgazes, dor de cabeça intensa diária com náuseas, cólicas, irritabilidade e quadros de rinite e/ou sinusite muito frequentes. Mas esse sintoma da pele oleosa para mim é novidade e fico feliz em saber que, se for esse mesmo o motivo, pode ser que meu rosto melhore o aspecto extremamente oleoso. Muito obrigada mesmo por compartilhar essas informações! Eu descobri minha intolerância há quase 4 anos. Tenho 29 hoje, quando descobri, estava grávida do meu segundo filho, e esse descobrimento foi um divisor de águas na minha vida. Minha primeira filha, desde que nasceu, nos primeiros exames já apontava pré disposição para intolerância, mas eu não quis acreditar, era algo muito estranho para mim, ela mamou exclusivamente até os seis e com nove meses eu parei de amamentar, quando ela tinha 9 meses,por recomendação de uma pediatra que se preocupava com o ganho de peso dela que era muito pouco. Contudo essa atitude não resolveu o problema, ela come pouco até hoje. Porém o pior foi que, logo após a mudança na alimentação, ela começou a apresentar infinitos quadros de alergia, bronquite, essas coisas… Teve pneumonia, e iniciaram tbm as crises de intolerância, se é que posso chamar assim, ela vivia irritada, não dormia bem, tinha vômitos, gazes, cólicas, tadinha e eu super estressada com o trabalho que ela me dava, deixa que eu tbm sofria com a bendita intolerância e não sabia, eu não tinha paciência, não curtia bem a fase mais linda que é a de bebê. Sim, ela adoecia todo mês, de tanto mudar de pediatra devido a insatisfação com a baixa qualidade de vida que eu vinha tendo, assim como minha filha e meu esposo, até que, com pouco mais de dois anos ela foi diagnosticada com intolerância pela pediatra ( Maria do Carmo, que sofria com fibromialgia há anos e ficou praticamente curada após retirar o glúten e a lactose da sua alimentação), que simplesmente falou para eu testar, na minha filha, seguir uma dieta sem lactose, por duas semanas e funcionou perfeitamente. Foi muito difícil no começo, até porque ela antes não comia bom comidinhas, tomava mamadeira de leite com Mucilon, eu maltratando o intestino da minha filha sem saber, mas ela se acostumou. Com pouco tempo depois descobrimos que meu esposo tbm estava intolerante, até que aos 7 meses de gravidez, após ouvir relatos de duas amigas que tinham dor de cabeça como reação da intolerância a lactose, caiu minha ficha e pedi a obstetra para fazer exames para investigar, ela achou melhor eu simplesmente testar ficar sem ingerir a lactose por uma semana, para não sobrecarregar o pâncreas do bebê. Eu segui a sua recomendação e pronto, foi um santo remédio. Sigo desde então a dieta, com umas recaídas, umas saudades do sabor, esporádicas, outras acidentais e outras em algumas festas e tomando lactase para ajudar. O fato é que eu simplesmente passei a ver tudo na minha vida com outros olhos, com bons olhos, falo para as pessoas que minha vida se divide entre antes da descoberta e depois da descoberta da intolerância, pois eu sentia sintomas desde a adolescência, é o que me recordo, mas acredito que provavelmente já sentia desde a infância, mas não me lembro. O resultado é que passei a curtir mais a minha filha nos dois últimos meses de gravidez do segundo, com um sentimento de satisfação como eu não tinha sentido desde que ela nasceu. Quando o o bebê nasceu eu tinha disposição e paciência suficiente para lhe dar com meus dois anjinhos, algo que eu pensava que seria bem mais estressante. Agradeço muito a Deus pelas pessoas que contribuíram para essa descoberta, pelo apoio e compreensão dos familiares e amigos para lhe dar com essa família “fresca para comer” mas é por um bem maior, a saúde. E agora estou grata a você, Flávia por me proporcionar essa mais nova descoberta do provável motivo de algo que me incomoda deveras que é a bendita pele oleosa. Devo admitir que estou em processo de adaptação, pois me mudei de um estado para outro distante, estou procurando voltar a minha rotina mas foi complicado nas primeiras semanas manter a dieta, mas essa novidade já me deu um estímulo a mais para eu voltar a seguir uma alimentação mais equilibrada. Tenho um anseio em mim de investigar mais sobre os males da lactose para também ajudar outras pessoas. Parabéns pela sua iniciativa Flavia! Desculpa por escrever tanto. Mas espero que tenha lido até aqui!

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