Minha história com alergias alimentares

Quando criei o Lactose Não, em 2012, eu sabia ter intolerância à lactose, mas a verdade é que, a lactose era o menor dos meus problemas…

Desde criança eu tenho problemas de digestão. Vivia com dor na barriga, sempre enjoada, tinha muita constipação – acho que daí meu hábito de tomar tanta água, porque era o que os adultos sempre falavam pra eu fazer: tomar bastante água e comer mamão para conseguir ir no banheiro, mas muitas vezes não funcionava! kkkk

Além disso, eu volta e meia estava com dor na garganta e resfriada. Apesar de tudo isso, mesmo indo em diversos médicos, nenhum conseguia explicar o que tinha. Fiz testes de labirintite, fiz mil e um exames e nada explicava. Aceitei que aquela era eu: sempre com mal-estar.

Até que em 2011 resolvi ir em mais um gastroenterologista e este solicitou o exame de intolerância à lactose. Fiz, deu positivo. Voltei para o consultório e ele falou algo como:

“Flavia, você tem intolerância à lactose. Isso quer dizer que seu corpo não digere bem os derivados lácteos. Mas se você comer você não vai morrer. Se tiver com muita vontade toma essa enzima aqui (era a lactase) um pouco antes de comer e pronto.”

Saí pensando: “Ok, não parece tão ruim”.

Continuei com minha vida normal. Comia uma coisinha ali, outra aqui, tomava a enzima e continuei passando mal, mas já estava acostumada. Afinal, é assim desde que me conheço por gente.

Até que em 2013 tive uma super crise e vi que algo ainda estava errado. Contei aqui. Depois de investigações, exames, testes, tratamentos, dietas, hoje eu sei que bem provavelmente meu problema principal é o glúten, e não o leite. Pois é, um pouco confuso. Mas vou explicar.

Desde que criei o Lactose Não e a alimentação funcional aplicada à saúde se tornou meu objeto de estudo, eu tento entender o que acontece comigo. Em setembro de 2016, me formei em Health Coach pelo Instituto de Nutrição Integrativa (IIN/USA), e lá tive muitas aulas sobre doença celíaca, doenças autoimunes, alergias alimentares e inflamações. Gravei este vídeo contando sobre como é o curso, assista aqui.

Durante essas aulas e minhas pesquisas, eu vi meu caso sendo contado repetidas vezes nas aulas de doença autoimune: problemas de digestão desde cedo, imunidade baixa, alterações hormonais, dermatites, anemia, dificuldade de absorção de nutrientes, diagnósticos imprecisos, melhora com dieta eliminatória, piora com inclusão do alergênico, e outro fator que quase não se fala nos consultórios (pelo menos nos que frequentei): genética.

Meu pai faleceu jovem, aos 43 anos, por complicações de um câncer no intestino. Por esse fato isolado eu já preciso fazer exames rotineiros para acompanhamento do intestino. Naquela época não se falava sobre doença celíaca, e não sabemos se ele era celíaco ou não, apesar de termos muitas suspeitas. O gene da doença celíaca, que eu tenho, veio dele. Minha mãe fez o exame recentemente e deu negativo. Portanto, mais um indicativo.

O último médico que consultei para tentar um diagnóstico definitivo, como contei aqui, não foi bacana. A grande questão é que fui orientada a cortar o glúten como medida de desinflamação, lá em 2013, mas quando tentei reintroduzir tive reações e acabei por cortar de vez.

Aí, por mais que eu passe mal por contaminações, a inflamação não é suficiente para caracterizar doença celíaca.

Durante o primeiro semestre de 2016 fiz e refiz inúmeros exames super desagradáveis, inclusive o de IL novamente, e este médico não fechou diagnóstico. Quando pediu para que eu voltasse a comer glúten por pelo menos 30 dias, em todas as refeições, para repetirmos todos os exames e ver se estaria inflamada suficiente, eu desisti.

As vezes que consumi glúten para refazer exames, todos deram negativos, e eu tive muitas reações, que duraram de 7-15 dias. Como contei aqui.

Após esse último gastro, me consultei com mais dois médicos, um clínico geral estudioso da doença celíaca e um endocrinologista ortomolecular, com quem fiz tratamento até o fim de 2016. Os dois foram enfáticos em dizer que neste caso eu deveria me considerar celíaca e tomar os devidos cuidados.

Escrevi isso em setembro de 2016, e fazia 9 dias que estava com uma crise forte: diarréia constante, garganta “queimada”, coceira no nariz, olhos e pele, dores no intestino e no estômago. Isso depois de comer em um restaurante que disse que não tinha nada de glúten/leite – história bem comum na minha vida.

Sei que, como celíaca, não poderia comer em restaurantes. Nem na casa de amigos, nem da família, nem em lugar nenhum, basicamente. Sei que deveria ler os rótulos de todas minhas maquiagens e produtos de higiene para ver quais têm glúten (isso estou fazendo). Mas confesso que preciso de um equilíbrio, e por enquanto entrar nessa bolha ainda não me parece a solução. Sei que se fizer isso, estarei gerando outros problemas. Celíacos, não me condenem. Sei que não é o certo, mas preciso ir aos poucos, como sempre falo nas redes sociais.

Para resumir a confusão: é Lactose Não, mas a lactose é o que menos me preocupa hoje em dia! kkkkk

Aqui, minha vida é sem glúten, sem lácteos e com alimentação antiinflamatória. Porque uma coisa eu afirmo com toda a certeza do mundo já que sou prova viva: não adianta só eliminar! Tem que tratar, tem que substituir e tem que comer direitinho.

Por isso que eu estou aqui, para mostrar pra você como controlar sua inflamação, recuperar seu intestino e ter mais qualidade de vida através da alimentação – independente de qual seja sua intolerância, restrição ou alergia alimentar.

Veja este post aqui para saber por onde começar.

Veja o vídeo que gravei contando minha história:

ESTOU CONTANDO A MINHA HISTÓRIA E MINHAS ESCOLHAS FRENTE AOS RESULTADOS DE EXAMES E INÚMERAS CONSULTAS QUE FIZ NOS ÚLTIMOS 5 ANOS. NÃO FAÇA NENHUMA MUDANÇA EM SUA ALIMENTAÇÃO OU ESTILO DE VIDA SEM CONSULTAR MÉDICOS E PROFISSIONAIS DA SAÚDE.

Não esqueça que sua história e opinião pode me ajudar e ajudar outros, então fique à vontade para dividir aqui nos comentários 🙂

Super beijo

Flavia.

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Sobre o Autor

Flavia Machioni

Flavia Machioni

Eu sou a Flavia, autora do Lactose Não. Sou especialista em cozinha natural, Health Coach formada pelo IIN/NY e Relações Públicas de formação. Faz 7 anos que venho mudando meu estilo de vida para ter mais saúde e bem estar e divido grande parte desse caminho aqui e em minhas redes sociais.

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